Solteiro
Como ocorre com minha melhor amiga,
falta-me parte sendo solteiro.
A mim que sempre reclamo de ela não saber lidar com
ou utilizar a solidão.
Ainda me sei o ponto em que seria boa a solidão,
não a constante,
mas essa sem braços,
sem bocas,
sem o que os corpos fazem:
em fecundar a mim mesmo em solidão espacial.
Entretanto,
não estou isolado em um lar,
mas tenho dormido em uma casa
e dividido-a
com aquela que me pariu.
O lar demora,
e quando vem
foge.
A necessidade de inventar o lar é o ponto,
porém dele não me vêm muito,
além de especulações.
De um lado sempre o pi
e do outro sempre a lógica humana.
Quando estou com o meu amigo,
aquele, por exemplo,
a solidão é diferente da que sinto
quando estou com minha melhor amiga,
que por sua vez,
lembra a do último amor,
e que por si difere,
completamente,
da dos dois outros anteriores
e assim por diante.
Isso se dá de tal forma
por causa da presença aconchegante
da solidão constante,
mas não é dela que estou falando.
Estou dizendo isso só pra assegurar ao leitor,
seja ele eu mesmo,
de que me sei só e do quanto gosto da verdade
que a solidão constante abarca.
Já aquela sem braços,
nucas,
pernas,
bocas
e sem as coisas que os corpos fazem,
me deteriora.
Deteriora tanto...
Antes que se pense que é de sexo que falo,
antes fosse!
Sexo se tem e é fácil.
Nunca precisei me esforçar para tê-lo.
O esforço sempre foi mostrar
a quem o meu teve
a significância
que para mim tem
a companhia física.
É quase como se eu tivesse sido gerado sem útero,
mas também não quero falar da ausência da mãe.
Apenas quero dizer
que as minhas solidões
são tudo o que sinto.