5.11.09

Quem sou eu

Um mesmo fim para muitos inícios. Meus círculos sociais são ciclos e o meu ciclo é terminá-los em mim. Daí sofro, e adentro outro. Segundo uma Super Interessante que li, círculos sociais saudáveis e duradouros são a felicidade. Pesquisas foram feitas mostrando que a expectativa de vida das pessoas que possuem bons amigos, na quantidade de acordo com o seu perfil, sem ter porra nenhuma são mais realizadas que os aparentemente bem sucedidos, por terem uma vida social leve e segura, coisa da qual os de boa situação estão sempre desconfiando e neurotizando. Isso me preocupa.

Continuar pensando demais e ruminando essas coisas me preocupa mais ainda, mas disso não há como escapar. Conversei com uma pessoa sobre isso essa semana e ela afirma que passou a viver mesmo quando "parou de pensar". Eu não me imagino sem analisar as coisas, não sei se isso vem de auto-sabotagem. É impossível, como se não houvesse outra coisa a se fazer no passar dos dias, da vida, que não seja tentar entender as coisas, o que me inclui. E isso é meio como a Fiona diz em Red Red Red após citar muitas coisas sobre as quais não consegue entender "I don't understand, I'll never understand but I'll try to understand. There's nothing else I can do".

"Talvez eu devesse" é algo que não dá certo comigo porque eu não observo, analiso, avalio e tiro conclusões das coisas, mas as sinto também, e boa parte das conclusões vem da mistura de uma observação fria com as consequências emocionais trazidas pelo objeto observado. Então "talvez eu devesse ser mais frio" ou "talvez eu devesse viver ao invés de interpretar a vida" são frases que vejo como tão vazias ao ponto de "talvez eu devesse" em geral tornar-se algo repulsivamente burro. Procurar formas de agir de acordo com cada situação sem estar vivendo-a em si tornou-se algo de uma estupidez imensa pra mim.

Não há mais o que eu possa fazer com relação aos erros que percebi ter cometido a não ser me retratar, ou tentar, e isso eu já fiz. Percebo que não os tenho mais cometido com as outras pessoas com quem convivo e isso tem me bastado. A culpa dos anteriores permanece e são rugas. É uma opção que eu já havia feito há muito tempo e não havia percebido. Optei por viver vendo, e agora assumo. É a posição em que me sinto mais confortável. A inveja que eu sentia das pessoas felizes vinha da necessidade de viver como elas, ter as mães delas, a facilidade delas, os amigos delas... Eu tenho a minha amiga com quem posso conversar sobre qualquer coisa e que sabe me abrir os olhos como ninguém quando estou me esforçando pra entrar num buraco onde só um rato passaria; tenho a mim e isso me garante dispensar exclusividades de outras pessoas e chamar atenção delas com atitudes estapafúrdias com esse fim.

Havia uma necessidade muito grande em levar pessoas comigo quando eu descobria algo que me foi útil. Gosto quando fazem isso comigo, em boa parte do intento, mas acho que o que serve de solução para umas não o faz para outras muitas, e saber quando o presente é compatível com o presenteado é função do poeta e não do leitor. Quem sabe uma hora eu faça poesia de verdade, naturalmente.

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