12.1.09

O Clipe

a idéia do clipe veio hoje:
eu estava semi-conchilando (não quase cochilando pois era dormir de verdade apesar de eu estar acordado) em um engarrafamento na frente do gubelkian ao som do frenético e supreendente harmônico armagedom de buzinas. isso aconteceu logo após eu ter ficado preso em casa por ter esquecido as chaves e minha mãe ter esquecido que eu havia esquecido assim como esqueci também de lembra-la quando saiu. mas ela disse que voltaria rápido então relaxei (relaxamento: estado natural de tensão; em escala de 0 a 10 de estresse, cinco) mesmo após duas situações bem desgastantes ocorridas entre as doze e as catorze horas. o meu fator de cura emocional está funcionando bem hoje, estável, prático e normal, parafraseando maysa, a miúda. após ter ouvido xingamentos de maneira contínua, ilógica e inútil, com direito a um descanso de um minuto para retornar depois que eu já havia saído de casa, pelo celular, entrei no ônibus ironicamente azul que me levou ao engarrafamento.
estava eu lá, como já disse, semi-cochilando quando semi-acordei(suponho que não seja necessário explicar) com a multidão de passageiros que, de maneira coreografada a la débora colker, saía do ônibus chocando seus corpos com as coisas, incluindo a mim, e fazendo uma percussão complementar ao som das buzinas a la stomp. tentei ver o motivo do "congelamento rodoviário"(só por já ter usado "engarrafamento" antes: toque textual) sem sucesso. pfff... "congelamento rodoviário"...
toda aquela barulheira adquiriu uma coisa de sincopal e assim que percebi tal padrão sonoro all over the world começou a tocar no meu celular, que por sinal foi o mártir do reveillon tendo sua bela tela de cristal líquido destruída por mim em um acesso de ai-meo-deos-eu-vou-morre alcoólico, formando uma coisa bem vanguardista. gosto do termo "coisa" para falar de coisas vanguardistas por em vanguarda, desde sempre é assim que tais coisas são vistas pelos ignorantes como eu. mas neste caso o sentido de vanguarda não é ruim, vejo só! então pensei numa música que fosse capaz de viajar all over the world.
quando enfim o ônibus virou a esquina da igreja de santana após a saída de um enorme caminhão de lixo cor de titânio alienígena, o que deu fim ao paradoxalmente estático frenesi automobilístico(hehe) e parou denovo, dessa vez no sinal, percebi, fazendo peripécias mambembes com bolinhas de acrílico estavam o tchatcho e seu amigo de nome suprimido. quando eles passaram o chapéu pelo lado do ônibus agarrei, colocando metade do meu corpo pra fora da janela, a cabeça pintada do tchatcho e colei-lhe uma bitoca. e é isso: espero que da mesma forma que o dinheiro dele vai para outras pessoas na contínua roda labiríntica da economia mundial metaglobalizada vá também o meu carinho all over the world, all-over-thewoOorld, all over the world, allovertheworld, all over the world, all-over-thewoOorld, all over the world...
i'll meet you over there.
i am
going to meet you over there...

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