Homens querem dominar homens.
A dominação masculina histórica resultou numa histórica resposta de dominância masculina da não masculinidade sobre a masculinidade.
Os homens, como sempre, não previam, porque homens não preveem. Ficam disputando o agora por não conceberem a atemporalidade do existir. Por isso inventaram uma forma de tentar, e só tentar, prever as coisas.
Homens têm medo, e essa é a força motriz da masculinidade. Do medo vem a ira, da ira vem resposta violenta, que é reação à falta de controle sobre o medo. Por não saber segurar os efeitos do medo, o homem se irrita e quer dominar o caos, tornando-se ditador das coisas, cronoficando-as. O homem sequer tem domínio sobre a própria vontade de fazer xixi, e rega a cidade no carnaval, melhor do que faz qualquer outra coisa. A festa da carne, para o homem, é a a festa do descontrole, da bexiga solta. Nota-se isso nas conversas do dia a dia: "Mas você fez isso antes de mim e por isso mereceu que eu fizesse tal coisa depois". A referência temporal do homem é sempre a localização de outrem. Aí o homem inventou o relógio, guiando-se pelo sol.
Homens lutam contra a sua única invenção e com tudo o que antes dela existiu e existe. O homem nunca inventou nada e nem inventará. Isso se expressa ar na quantidade de pêlos de seu corpo e na falta de sensibilidade em perceber por onde a evolução de sua própria espécie se dá.