26.12.14

Nau

Longeva é a linha navegável
de um náufrago incansável:
Nunca o vento, mas

sua verve a subverter as ondas.
Apreciava o tom da brisa que o sorvia
pelos pelos,

Sob os quais o tempo reclamara-o
justiça,

e onde jaz
o seu pesar.

O ponto forte era a lembrança
de um tempo de bonança, além
de um parco sonhar.

As ondas não traziam medo,
o equilíbrio era do apego e
do mero amor ao mar.

Os sais arrebentando seus lábios,
truncando ao cantar,

que, aliás, soprava a vida sonante
em vias de se calar:

"Cesse em afundar,
inspire a culpa,
cesse a culpa
e afunde no mar.

Cesse em afundar
expire a culpa,
cesse a culpa
e afunde o mar."

Nau, que encima os montes d'água
e sem resumo se embriaga
no tempo a ritmar,

Alegra o ser que ali vagueia,
uma enguia um tanto alheia,
às cores do lugar,

pois sabe ser sua sina seguir
sempre à deriva,

por nós de velas firmes
que nós ignoramos atar.

"Cesse em afundar,
inspire a culpa,
cesse a culpa
e afunde no mar.

Cesse em afundar
expire a culpa,
cesse a culpa
e afunde o mar."

Arquivo do blog