Sou um catalisador de dó
de um sol, de um si...
E mesmo eu, que nesta escala
escassa de notas felizes
insisto em me ouvir
num tom
metafórico,
ou numa ironia,
ou nesta anedota
da qual não ririas.
Sei-me catalisador de dó,
mas de sol...
De sol nem sou.
Lá a Nuvem cinza,
consola-me a noite
enquanto o terror não vem
Em escuro vultuoso
onde há susto e açoite
daqueles que não me veem.
Sou um canalisador de dó,
de sol, de mim mesmo.
Sei que esta escala
carece de notas felizes
e fáceis de ouvir.
Sem metáforas pobres
ou falsa ironia,
onde esta anedota
sua graça teria.
Mas para um catalisador de dó,
tal como eu,
nem dá.
Lá a Nuvem cinza,
consola-me a noite
enquanto o terror não vem
Em escuro vultuoso
onde o susto é um açoite
daqueles que não me Veem.
Nada que não me remeta à solidão
afaga mais do que tu me estendendo as mãos
por trás desta derme que os outros
nomearam de espelho,
meu gêmeo irmão.