26.6.14

Mãe Dinah

Hahahhahahahahahhaa! Que coisa doida...

Eu tenho um celular que é uma merda, não é um smartphone, é daqueles com teclado QWERTY da Semp Toshiba. Nele instalei aquela versão horrível do Facebook for Every Phone, mas ele é tão lento, tem tão pouca memória RAM, que quando eu uso os botões direcionais pra chegar em um ícone ele leva de 3 seg a quase um minuto pra responder. Se eu apertar várias vezes esses botões e largar, ele vai fazer todo o percurso sozinho, como se fosse um fantasma, navegando de ícone em ícone sozinho. Adquiri o hábito de programar a minha navegação nele: Vou lá e aperto tudo o que eu quero que ele faça e fico assistindo ele fazer sozinho.

Ok. Isso não tem nada de espetacular.

Ele não anuncia quando eu recebo mensagens se não estiver aberto e eu normalmente não estou com ele aberto pois fico ouvindo música. O bichinho só faz uma coisa ou outra. O espetacular é que eu passei a saber quando me mandam mensagens. É como se eu tivesse desenvolvido um sistema de notificação intuitiva que "apita" no cérebro. Aí vou lá, corto a música do nada, abro ele e, tadan, tem uma mensagem de menos de um minuto pra mim. E um detalhe, isso só funciona com as mensagens e não com as outras notificações do Facebook, porque pra elas eu não ligo.

Paralelamente a isso eu tenho adivinhado os signos de algumas pessoas... Praticamente todas. E, há três dias, venho pensado que preciso de uma canceriana, pois elas são afáveis e eu só tenho lidado com leoninas malucas, arianas combativas, geminianas egoístas (isso não inclui amigas, só "peggies", por favor) e pessoas de signos de água revoltadas. Enfim, estamos situados, não? Acho que sim. Lá vai.

Ontem houve o jogo da França com o Equador, no Maracanã, e eu marquei com a Ju de dar uma volta por ali e ver uns franceses. Tirei umas fotos dela com alguns e, depois, fomos pro jazz da Estudantina. Bebemos umas cervejas do lado de fora e eu falei pra ela esse lance das cancerianas. Sempre que nos encontramos temos ficado na casa dela bebendo, conversando e brincando de karaoke no youtube e estávamos bem felizes de termos saído da caverna pra ver o mundo.

Quando a Estudantina já tinha movimento suficiente pra se tornar divertida nós fomos pra lá. Depois de um tempo lá dentro fomos à sacada fumar e lá de cima vimos outra moça sozinha do lado de fora, na rua. Bonita, de tracinhos delicados sobre um rosto arredondado e doce, baixinha e com umas panturrilhas lindas. Mostrei pra Ju e disse: "Olha lá uma canceriana. É de uma dessas que eu tava falando". Acenei, sorrindo e ela correspondeu cheia de simpatia. Gesticulei que iríamos descer e ela aguardou. Juju deu a ideia de levar mais um copo pra ela e fomos, com uma garrafa e três copos nas mãos. Eu nunca tinha visto a menina na vida e fiquei meio tímido, mas a Ju tava toda comunicativa e ficou desenvolvendo o assunto com ela.

O celular, então, apitou no meu cérebro e, como eu não estava falando praticamente nada, apenas pontuando algumas coisas, entrei no Facebook pra dar uma olhada, pois podia ser a Fernanda, com quem eu havia marcado lá também. Era a Fernanda, mas não a Dutra como eu esperava, e sim a Lago, dizendo que tinha feito um SoundCloud com as musiquinhas que compõe de improviso sobre assuntos diversos. Pouco depois a Ju saiu pra conhecer gente, de empolgada que estava, e pra nos deixar sozinhos. Mas acabei não dando atenção pra moça e ela ficou sem graça, olhando pros lados. Esqueci dela pra ficar no chat. Que coisa horrível, eu sei! Mas foi exatamente isso!

Enfim, fechei o celular e expliquei pra ela, que estava falando com uma amiga que é artista como ela e, sentindo que sim, perguntei se ela a conhecia. Sim, elas se conhecem. E a menina disse que, inclusive, viajaram pra Índia. Perguntei o signo dela pra confirmar minha suspeita de que era câncer e (bingo!) havia acertado. Ju ficou surpresa. (Agora, vendo os álbuns dela, percebi que existem até mais fotos da Lago lá que dela.)

Ali broxei. Não conseguia mais desenvolver a conversa com a moça, pois só pensava na Lago. Sendo que eu já tinha largado a ideia de chegar nela anteriormente, pois ela vai embora, mas não adiantou... A Lago inundou ocupando todo o meu espaço cerebral naquele momento, me deixando submerso, enquanto Pilar Rocha (isso mesmo) permanecia ali, fixa, sólida e tátil à minha frente.

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