27.1.11

Não Tenho Uma Identidade

E me orgulho disso. O que se tem para a criação, em tempo natural, de uma identidade hoje em dia é podre.
Continuarei construindo a minha, e o que eu obtiver de informação que seja de acordo com com a plataforma psicológica que embasa minha alma, será colocado sobre ela, mas nunca com total confiança e esse é o direito que reclamo: Confiança em me ser.
Leva mais tempo, percebo, e sofro com a demora, mas normalmente, os caminhos rápidos são corrompidos, são cheats, e neles muito se passa desapercebido. Lembra do pêlo do coelho em O Mundo de Sofia? Então, é por aí.
Não há romantismo algum no que estou falando, há revolta, e não há romantismo na revolta, há ódio. Ódio porque é esse sentimento que se tem quando a mentira é tudo o que se vê. Não há romantismo também no ódio, pois tal sentimento decrépita em uma parábola descendente que não te leva ao messiânico, mas ao demoníaco, uma vez que se vive em uma sociedade que adota tais sentidos como sendo os mais importante: a dicotomia bem e mal.
Foda-se o que é bom, e foda-se o que é mal, se você for sensível conseguirá perceber as nuances íntimas das coisas e delas executará o que quer, mas o grande triunfo não é esse. O momento em que se percebe a realização do equilíbrio é quando se convive com as diferenças de ímpetos e intentos de pessoas sinceras que se conhecem, e se harmoniza com eles e elas.
Somos uma massa em movimento, visualmente semelhante a um cardume e, como fazem os golfinhos, somos capazes de guiar outros para a morte.
Existem golfinhos maiores e, enquanto o meu cardume não for sensível o possível para perceber isso, não farei parte dele, mas sempre tentarei mostrá-los possibilidades além do que percebem, pois sou feito de bom intento e recebo suas cargas como um mártir. Longe de mim perceber tal ação minha como uma tentativa de me santificar, pois a morte nada traz de belo a não ser a inexistência.

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