O presente...
Z disse que o presente em russo não existe.
Outra pessoa exclama "SATURNO" sempre que nos escrevemos.
Saturno é Chronos na mitologia grega, muito cultuado lá pelas bandas africanas graças aos romanos.
É o tempo, pai de Zeus, feito do nada. Ninguém mais controla o tempo a não ser ele, que o faz passar.
Faço o mesmo. Não tenho o domínio sobre o tempo, óbvio, mas também o faço passar como se fosse a única coisa que sei fazer.
Como todos na mitologia grega, Chronos não é bonzinho. É só pensar em como o tempo, que é ele, age. Da mesma forma que funciona como espaço para toda criação ele é aquele a que tudo finda. Se não me engano há até uma expressão popular: "A justiça de Chronos". À essa justiça não há quem fuja e para um ser humano alinhar-se a ela é preciso ser muito sábio. Muitas linhas de pensamento filosófico possuem esse intuito, o de lidar com o tempo naturalmente, reconhecendo sua importância perante a pequenês do orgulho.
Quanto ao Presente em russo foi o que comentei com ela: talvez não possuam uma palavra pois o presente não é feito para ser meditado mas para se aplicar as conclusões tiradas no passado em prol do futuro, para se viver.
Pensei em fazer uns quadrinhos com a minha relação com ela mas hoje percebi que isso seria apenas uma tentativa de mostrar às outras pessoas o quanto a amei. Como elas perceberiam isso se não estão dentro de mim como estão de Chronos? Como eu mostraria se sequer consegui mostra-la?
Tenho entendido porque as pessoas relacionam amor a coração. É mesmo essa bombinha que aperta tudo dentro da gente, puxando tudo em direção a ele, repuxando, para se preencher daquelas coisas que ele precisa para se movimentar, passando tudo adiante, recebendo mais a ser passado além, direcionando o que é limpo e o que é sujo, purificando...
O coração é o presente.
O presente é o coração por onde o futuro passa para tornar-se passado assim como é o presente do pretérito que trará um futuro carregado de nutrientes e oxigênio para a vida.
Eu me orgulho de carregar vida no nome e de perceber que possuo um coração que pulsa.
Sou grato a Chronos, mesmo que simbolicamente, por me permitir experimentar tais coisas e me renovar a exemplo dele: com justiça e nunca deixando passar nada que não faça sentido.
É claro que é uma justiça meio torta a minha, torta como a coluna que sustenta meu corpo, mas tais torções e torturas são as coisas que, filtradas, tornam-se minha capacidade de ser responsável com os que estão comigo. Assim... No presente.