21.1.08

nove de janeiro

não consigo fazer o trabalho...
não consigo...
a única vontade é deitar...
sem pensar em nada.

anteontem uma garrafa de vidro,
cuja tampa estava emperrada,
uma garrafa de bem mais que dez anos,
de vidro grosso,
se desfez nas minhas mãos
quando tentei abri-la...

vários cacos entraram em contato com o meu corpo...
e eu só tive um mínimo corte no mindinho.

porque eu,
se me quebrar,
mesmo q não seja nas mãos de alguém,
causaria tantos ferimentos?

é...
esse é o argumento das pessoas com quem falo sobre isso.
dizem pra que eu pense em minha mãe, meu pai, meus primos, tios, amigos...

quando catei os cacos percebí o quanto eram afiados
e poderiam ter aberto rombos em meus pulsos.
seria, quase que milagrosamente, um grande feito das configurações quânticas.

lembrei de quando Lana queria se jogar de cima da fortaleza...
de quando se trancou no banheiro com lâminas...
da minha frustrada tentativa de enforcamento...
lembrei dos cortes e químicas da Ana...
lembrei do Hugo...
da Dani...
do ex da Scilla...
do Kurdt, que é bem normal...

como eles estavam sendo egoístas?
como as pessoas do convívio deles estavam sendo egoístas?
existe autonomia?
existe Amor?
alguém realmente se importa?
e caso sim, é temporário?

ainda não...
não quero ir sem ver a Ane...
ela talvez venha neste início do ano...
preciso sentí-la de perto.

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